Na mais recente DII Live, a gastroenterologista Diana Carvalho, da ULS São José, explicou os mecanismos associados à urgência intestinal, a sua relação com a atividade da doença e as estratégias que podem ajudar a gerir este sintoma no quotidiano.
A urgência intestinal foi o tema da mais recente DII Live da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), que contou com a participação de Diana Carvalho, médica gastroenterologista na ULS São José.
Ao longo da conversa, foram abordadas várias questões relacionadas com um sintoma que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas com Doença Inflamatória do Intestino (DII), nomeadamente na doença de Crohn e na colite ulcerosa.
Um dos primeiros esclarecimentos centrou-se na distinção entre urgência intestinal e frequência das dejeções. A especialista explicou que a urgência corresponde a uma vontade súbita de evacuar, difícil ou impossível de adiar, podendo ocorrer mesmo quando a pessoa apresenta apenas uma dejeção diária.
Embora seja frequentemente associada à atividade inflamatória, a urgência intestinal nem sempre significa que a doença esteja ativa. Segundo Diana Carvalho, podem existir outros fatores envolvidos, como alterações da sensibilidade intestinal, síndrome do intestino irritável, antecedentes cirúrgicos ou doença perianal. Por esse motivo, a avaliação clínica deve considerar também a presença de outros sintomas, como diarreia, sangue nas fezes, dor abdominal, febre ou perda de peso.
A alimentação foi outro dos temas em destaque. A médica salientou que não existe uma lista universal de alimentos a evitar, uma vez que a resposta varia de pessoa para pessoa. O café, o álcool e os alimentos ricos em gordura podem aumentar a motilidade intestinal, enquanto algumas pessoas podem apresentar intolerância à lactose. A especialista alertou, contudo, para a importância de evitar restrições alimentares excessivas, defendendo uma identificação individual dos alimentos que desencadeiam sintomas.
A conversa abordou ainda a relação entre ansiedade, stresse e urgência intestinal. O receio de não conseguir chegar a tempo a uma casa de banho pode gerar ansiedade e condicionar progressivamente as atividades quotidianas. Planear algumas deslocações, identificar instalações sanitárias ou experimentar novos alimentos em ambientes onde a pessoa se sinta confortável podem ajudar, mas não devem transformar-se em limitações permanentes. Quando a urgência condiciona a vida diária, é importante procurar avaliação médica.
A este propósito, Diana Carvalho reforçou que a urgência intestinal deve ser comunicada à equipa de saúde, mesmo quando não é um tema abordado espontaneamente durante a consulta. O seu impacto na vida profissional, social, familiar e na prática de exercício físico tem vindo a receber maior atenção, sendo também considerada na avaliação de resultados de ensaios clínicos.
Na sessão de perguntas e respostas, foram ainda esclarecidas dúvidas sobre a persistência da urgência em pessoas com doença controlada, as alterações do trânsito intestinal após cirurgia, a influência do ciclo menstrual e as possibilidades terapêuticas disponíveis. A especialista destacou a existência de novas alternativas de tratamento, sublinhando que a abordagem depende sempre da causa identificada e da situação clínica de cada pessoa.
DII Lives também em formato de notícia no website da APDI
A partir de agora, as DII Lives passam também a ter uma notícia de síntese no website da APDI. Esta nova forma de divulgação pretende facilitar o acesso aos principais conteúdos e esclarecimentos partilhados em cada sessão, complementando as transmissões em direto nas redes sociais e os respetivos conteúdos em vídeo.
A APDI continua, assim, a promover a literacia em saúde e a disponibilizar informação sobre a Doença Inflamatória do Intestino, aproximando a comunidade de pessoas com DII dos profissionais de saúde e dos temas que marcam o seu quotidiano.


