Adesão à terapêutica: um compromisso essencial para controlar a DII 

A adesão à terapêutica foi o tema do quarto episódio da 11.ª temporada de Dar a Volta à DII, uma iniciativa da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI) que contou com a participação do gastrenterologista Sérgio Bronze, da ULS Santa Maria. 

Ao longo da conversa, o especialista explicou que a adesão à terapêutica vai muito além da simples toma da medicação. Trata-se de um acordo entre médico e doente que envolve o tratamento, a forma como é realizado e o respetivo acompanhamento clínico, incluindo consultas, exames e monitorização. 

Segundo Sérgio Bronze, a literacia em saúde e a partilha de informação são fatores determinantes para promover a adesão, permitindo que a pessoa com doença de Crohn ou colite ulcerosa participe de forma informada nas decisões relacionadas com o seu tratamento. 

Durante o episódio foi ainda referido que estudos recentes apontam para taxas de não adesão entre os 30% e os 50%, o que significa que uma parte significativa dos doentes interrompe a medicação, falha doses ou não cumpre os intervalos recomendados para a administração dos tratamentos. 

Entre as razões mais frequentes para a não adesão encontram-se o facto de alguns doentes se sentirem bem e considerarem que já não necessitam da medicação, o receio dos efeitos adversos e situações de esquecimento ou incumprimento dos horários definidos para o tratamento. 

No caso das terapêuticas biológicas, o especialista alertou para a importância de cumprir os intervalos de administração previstos, explicando que falhas nas tomas podem reduzir a eficácia do tratamento e favorecer o desenvolvimento de anticorpos contra os medicamentos. 

A entrevista abordou ainda a possibilidade de interrupção terapêutica em situações específicas. No entanto, foi sublinhado que esta decisão deve ser sempre tomada em conjunto com a equipa clínica e acompanhada por um plano de vigilância adequado. Sérgio Bronze referiu que a evidência científica disponível indica que cerca de 50% a 60% dos doentes que interrompem a medicação voltam a apresentar atividade da doença. 

A principal mensagem do episódio é clara: a adesão à terapêutica é uma componente fundamental do tratamento da DII e qualquer alteração ao plano terapêutico deve ser discutida com os profissionais de saúde que acompanham o doente. 

O episódio já está disponível no YouTube e Instagram da APDI.

Dar a Volta à DII: Remissão na DII 

A remissão é hoje o principal objetivo no tratamento da Doença Inflamatória do Intestino (DII), representando um marco importante na vida de quem tem doença de Crohn ou colite ulcerosa. Embora ainda

Read More