Gerir uma crise de doença inflamatória do intestino (DII) é um desafio que vai muito além dos sintomas físicos. No mais recente episódio da rubrica Dar a Volta à DII, a gastroenterologista Paula Lago, do Hospital de Santo António, aborda de forma clara o que é uma crise, como reconhecê-la e quais os passos essenciais a seguir quando ela surge.
O primeiro sinal de alerta é a alteração do padrão habitual da doença: aumento da frequência das idas à casa de banho, presença de sangue nas fezes, dor abdominal mais intensa, febre, intestino que não funciona. Estes sintomas devem ser valorizados e comunicados à equipa médica, uma vez que o tratamento precoce pode evitar complicações e hospitalizações.
A Dra. Paula Lago sublinha ainda a importância de o doente aprender a gerir a sua própria doença e estar atento aos sinais de uma nova crise. Para isso, o doente deve manter-se informado e atento às suas rotinas.
A especialista ressalta que o mais importante é não interromper a medicação apenas por ausência de sintomas, pois isso pode desencadear uma crise. O objetivo do tratamento não é apenas controlar os sintomas, mas também promover a cicatrização do intestino — e, para isso, são necessários tanto a toma contínua dos medicamentos quanto exames de acompanhamento para confirmar se está tudo bem.
Alerta ainda para os doentes não se automedicarem, em especial com anti-inflamatórios não esteroides que podem ser o gatilho de uma crise, e para o uso indevido de antibióticos não prescritos.
O episódio termina com uma mensagem de esperança e realismo: as crises fazem parte da DII, mas podem ser controladas com vigilância, adesão terapêutica e apoio médico contínuo.
O episódio já está disponível no YouTube e Facebook da APDI.


